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A História Segundo Elas
Autor: Lincoln Paiva
Capa: Flexível
Tamanho: 14 x 21 cm
Peso: 468gr
Páginas: 212
ISBN: 9786583530875 

 

Em A História Segundo Elas, o doutor em Urbanismo e Council Advisory Wri Ross Center Prize for Cities, Lincoln Paiva, reconstrói a formação de São Paulo a partir de um ponto de vista historicamente silenciado: o das mulheres. O livro revela como mulheres (indígenas, negras, brancas, livres, escravizadas, anônimas ou ilustres), do século XVI ao XX, foram decisivas na organização econômica, na vida urbana, cultural e política da capital paulista. O livro propõe uma revisão profunda da narrativa oficial, mostrando que São Paulo não foi apenas edificada por bandeirantes, políticos ou industriais, mas também por mulheres que, muitas vezes invisibilizadas, foram agentes centrais da história paulistana.


Ao longo da obra, algumas das distintas figuras femininas retratadas  atravessam séculos e camadas sociais distintas, revelando a complexidade da experiência feminina na história paulista. As mulheres bandeirantes, por exemplo, omitidas da história nacional tradicionalmente ensinada nas escolas, são contempladas na obra como gestoras do território, da família e da economia na ausência prolongada dos homens. Foram elas que sustentaram roças, organizaram heranças, decidiram casamentos e garantiram a continuidade das frentes de ocupação do interior. 
O livro também revisita personagens que transitam entre história e imaginário coletivo, como é o caso de Maria Augusta, jovem cuja trajetória trágica deu origem à lenda urbana da Loira do Banheiro, mostrando como dramas reais femininos foram convertidos em mitos moralizantes e apagados de sua dimensão histórica concreta.
Já no século XX, A História segundo elas acompanha mulheres que ampliaram os limites da vida intelectual, cultural e social do país. Dorina Nowill é aqui retratada como símbolo de resistência e reinvenção, que ao perder a visão, transformou a própria experiência em luta coletiva, fundando instituições e políticas públicas voltadas à educação e à autonomia das pessoas cegas. 

 

Lygia Fagundes Telles, por sua vez, também ganha um capitulo na história paulista, representando a força da palavra feminina na literatura brasileira, ao explorar, com sofisticação psicológica, os conflitos íntimos, as opressões sociais e as ambiguidades da condição feminina no mundo urbano moderno.  Essas trajetórias, e muitas outras narradas na obra, reafirmam a proposta central do livro: compreender São Paulo como uma cidade moldada por vozes femininas que escreveram parte fundamental dessa história.